Velto Silva

Poemas profundos e oriundos.

Textos


Está ficando cada vez mais difícil tirar uma foto com a estátua do Fernando Pessoa em Lisboa, imaginem um doce negrejando de moscas, pois é assim que está esta estátua.
O pior é o abuso das pessoas que sentam para fazer a foto beijando o poeta e outras fazendo expressões das mais esquisitas.
Eu não tenho paciência para esperar, mas fiquei observando as cenas das mais esquisitas, eram famílias inteiras que não se contentavam com apenas uma foto, pois tiravam a fotografia olhavam e pediam para o familiar fazer outra porque aquela não havia ficado bem.
Mas a vergonha maior foi quando uma fulana barraqueira, daquelas que falam alto para dez quarteirões ouvir, senta, abre a sua bolsa e passa lápis no olho e o batom nos lábios se olhando num espelhinho, enquanto isso a fila ficando maior, finalmente ela faz a foto.
Depois senta-se um grosseiro e fala com a estátua, a mulher dele o repreende pois a vergonha era grande, o senhor achava que era uma estátua viva e todos se riam.
O pior é que muitos que fazem esta foto não sabem nem quem foi o Fernando Pessoa cometendo garfes das mais valiosas.
A garfe nível top que presenciei foi quando um homem sem cultura alguma se senta, a sua esposa faz a foto e ele fala em alto e bom som: “Já li dois livros dele “O Alquimista e Brida.”
Confundir o Fernando Pessoa com a fraude Paulo Coelho foi surreal, naquele momento, voltei ao passado e revivi o terremoto de 1755 em Lisboa, o meu chão se abriu e eu sumi de tanta vergonha alheia que passei.
Entretanto descobri que a hora que você pode fazer esta foto sem baixaria nenhuma por perto é num dia de domingo, às 8 Horas da manhã.
E o melhor disso tudo é que no domingo neste horário só aparece você e o Fernando Pessoa na sua tão sonhada foto.
#VS
Velto Silva
Enviado por Velto Silva em 14/01/2019
Alterado em 18/01/2019
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