Velto Silva

Poemas profundos e oriundos.

Textos

Brincar de matar gatos!
Numa manhã de domingo, acordo com o barulho de alguém agonizando para morrer, para o meu espanto tratava-se de um gato que estava no quintal caído, já com as pernas duras, com a boca espumando e olhos vidrados, seu último suspiro foi aterrorizante. Este foi o primeiro de mais assassinatos em série de felinos que estavam por vir, passado mais alguns dias mais um gato, mais um mês outro gato, enfim, ao todo foram cinco gatos que apareceram mortos no meu quintal, e o interessante é que todos sempre morriam no mesmo local, é como se eles sentissem que ali seria o leito perfeito para agonizar e morrer, começo então uma investigação para descobrir quem era o assassino que estava envenenando os gatos, pois o psicopata estava fazendo tudo na surdina e  de forma sutil para que ninguém o apanhasse em flagrante.
Numa madrugada ouço miados de desespero, abro a janela e vejo quando um gato pula do quintal do vizinho e vi também quando a porta de sua casa se fecha rapidamente, pela silhueta de Nelson Ned e pela sombra que vi no chão, não tive mais dúvidas de que o psicopata assassino de gatos estava ali.
Mais uma vez, o felino vem se entregar aos braços da morte em seu leito, no meu quintal, debaixo do pé laranjeira.
Numa noite de calor, por volta das 2:46 horas da madrugada este vizinho resolveu comemorar uma festa em sua casa onde todos bebiam, riam, gritavam, dançavam era uma baixaria total, o suposto assassino, que era o dono da casa já estava bêbado quando falou: "Eu não quero animais em minha casa e todos os gatos que entram aqui morrem envenenados" segundo ele com uma gota do veneno em 1 litro de água já era suficiente para matar um elefante, imaginem um gato. A minha certeza só aumentou!
Naquela época, em 1992, não existia celular, poucos tinham telefone fixo em casa e creio que também não existia nenhuma instituição que protegesse os animais e isto dificultava qualquer denúncia.
Mas a lei da natureza não deixou barato e soube trabalhar bem em cima do assunto, pois passado algum tempo coisas estranhas e semelhantes começaram a acontecer nesta família, era uma atrás da outra, nunca vi espíritos, mas, que eles existem, existem! Parecia que os espíritos de todos os gatos mortos, resolveram agir.
Numa bela noite de lua cheia, ouço gritos de terror de sua esposa transtornada, que, ao chegar em casa a sua filha mais velha estava pendurada numa corda dentro do seu quarto agonizando para morrer com um palmo de língua para fora e olhos esbugalhados, ela entrou em estado de choque e nada pode fazer.
A filha deixou uma carta onde culpa o pai pelo seu suicídio, num trecho da carta dizia: "Pai eu te odeio, quando engravidei você me expulsou de casa, por isso vou me matar dentro do teu quarto, mãe cuide de minha filha que já está com seis anos, não deixe o pai fazer com ela o que fez comigo."
Passado alguns anos, o pai estava trabalhando quando abriu o quadro elétrico da empresa, tomou um choque, o mesmo estrebuchava no chão, espumava pela boca como os gatos que matou no passado, mas não morreu, apenas ficou cego de um olho e com um lado do corpo paralisado.
Se você não gosta de animais é um direito que lhe assiste, mas não o maltratem, não matem, porque eles voltam.
#veltosilvanocotidiano
Velto Silva
Enviado por Velto Silva em 01/07/2018
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