Velto Silva

Poemas profundos e oriundos.

Textos

Mulher Robô.
Estou eu tomando o meu café da manhã, quando entra um casal.
Ele de óculos escuros Rayban falso, claro, estilo meio rockeiro brega, ela com movimentos em câmara lenta, olhar fixo no nada, inexpressiva, comandada por algo que até então eu não sabia traduzir... quando de repente desabrocha de dentro do roqueiro brega um ser grosseiro que em momento algum tirou aquele óculos seboso da cara. Tínhamos ali dentro do café uma fera enjaulada.
Ela não falava, ela não sorria, ela não chorava... notava-se na expressão de parede que ela demonstrava, que aquele café não tinha cor, cheiro e nem sabor, a velocidade que aquela xícara saia do pires até os lábios daquele tronco de árvore em forma de mulher era no máximo de 1 minuto.
Ele xingava ela de porca, ele a torturava psicologicamente de forma bruta, foi quando observei que ele não a deixa pensar há anos, ele não a deixa falar... ela apenas obedece ordens de um ser pré-histórico, de um homem Neandertal.
Ele grita para ela pagar a conta dos dois cafés, ela em movimentos lentos retira as únicas moedas de dentro daquela bolsa e paga calada.
Aquele robô é comandado por ele, ele configurou a seu modo, ele retirou a voz dela, ele lhe fez uma lobotomia.
Para ela andar ele aperta o play, mas a deixou em modo SLOW assim ela não foge, de vez em quando ele aperta o botão RESET e faz a reposição de novas ordens e regras.
Ele tem o controle remoto daquele robô, no dia que ele quiser aperta o botão OFF, ai era uma vez uma mulher.
#vsnocotidiano
Velto Silva
Enviado por Velto Silva em 09/06/2018
Alterado em 09/06/2018
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