Velto Silva

Poemas profundos e oriundos.

Textos

Qual o menu de hoje? Seres humanos!
Todos os dias os seres humanos estão descendo um degrau na vida no que diz respeito a desvalorização do próprio eu, mas com a evolução da internet estão caindo escadas abaixo, numa queda livre e constante onde tudo passa muito rápido.
Hoje fiz uma analogia à respeito disso, como num restaurante, onde pedimos o cardápio para ver quais são os pratos que estão disponíveis naquele momento... Já se faz noite, e, no menu há feijoada, prato muito gorduroso e não aconselhável para jantar, pois podemos ter uma indigestão e viramos a página... Uma salada de alface, tomate e rúcula, parece-nos bem, comida leve, bom aspecto... É esta que queremos comer!
Saboreamos esta salada, no máximo, estourando o tempo, por uma hora, comemos com gosto e nos deliciamos do sabor das folhas e dos tomates vermelhos da cor do pecado.
Ao chegarmos em casa, caímos nos braços de Morfeu num sono profundo.
Ao acordarmos, já desejamos que o dia passe logo para voltarmos à noite ao mesmo restaurante a fim de comer aquela salada maravilhosa e leve, o que para a nossa surpresa ela já não se encontra mais disponível no menu. Que lástima!
Este cardápio de comidas variáveis hoje, nos dias atuais, se resumiram apenas em um tipo de comida: Seres vivos, pois eles tem corpos, braços, pernas e falam com os dedos, alguns são inteligentes, porém inconscientes, você pode comê-los deitados, de pé, na horizontal ou na vertical, não importa, o importante naquele momento é saciar a sua fome, porque amanhã este corpo pode não querer ser consumido, pois tanto ele quanto você tem prazo de validade, não existe conversa, é comer e sumir.
Estas comidas são fáceis de se identificar em qualquer lugar deste planeta, andam sempre com o cardápio na mão escolhendo o seu prato do dia, usando apenas o seu poderoso dedo indicador para aceitar, ignorar ou até mesmo bloquear alguns pratos que estão disponíveis naquele momento, mas, um dia, acabam por desbloquear e experimentar aquilo que nunca comeram, pois já não haviam mais opções, uma vez que tudo já foi comido perdendo o seu sabor.
Quem foi da geração do amor, do encontro, do cuidar um do outro não apenas no quesito namorar e sim também de fazer amizades verdadeiras antes da internet existir com todas estas facilidades, sente-se completamente perdido dentro deste labirinto escuro e degradante, mas em compensação são pessoas mais pé no chão, seguras de si e daquilo que querem porque outrora viveram grandes amores e fizeram grandes amigos verdadeiros, foram pessoas sinestésicas. Foram também pessoas que comeram muito feijão, arroz, bife e a noite repetia o mesmo prato porque não havia outra comida para o substituir, por isso valorizam muito as suas vidas e a vida daqueles que os cercam.
Ao contrário dessa geração que domina muito bem este mundo e se safa dentro desse labirinto, é uma geração perdida, sem brilho nos olhos, superficial e muito subjetiva, uma geração que fizeram de seus corpos um verdadeiro corrimão onde todos podem passar a mão.
#vsnocotidiano
Velto Silva
Enviado por Velto Silva em 04/06/2018
Alterado em 19/10/2018
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